sexta-feira, 29 de maio de 2009

Para Meditar...

ATIRE A PRIMEIRA FLOR


Glácia Daibert

 


Quando tudo parecer caminhar errado, seja você a tentar o primeiro passo certo;

 Se tudo parecer escuro, se nada puder ser visto, acenda você a primeira luz, 
traga para a treva, você primeiro, a pequena lâmpada;

Quando todos estiverem chorando, tente você o primeiro sorriso; 
talvez não na forma de lábios sorridentes, mas na de um coração que
compreenda, de braços que confortem;

Se a vida inteira for um imenso não, não pare você na busca do primeiro
sim, ao qual tudo de positivo deverá seguir-se;

Quando ninguém souber coisa alguma, e você  souber um pouquinho,
seja o primeiro a ensinar,  começando por aprender você mesmo,

Corrigindo-se a si mesmo;

 Quando alguém estiver angustiado à procura, consulte  bem o que se passa,
talvez seja em busca de você mesmo que este seu irmão esteja;

Daí, portanto, o seu deve ser o primeiro a aparecer, o primeiro a mostrar-se, 
primeiro que pode ser o único e, mais sério ainda, talvez o último;

Quando a terra estiver seca, que sua mão seja a primeira a regá-la;
quando a flor se sufocar na urze e no espinho,
que sua mão seja  a primeira a separar o joio, a arrancar a praga,
a afagar a pétala, a acariciar a flor;

Se a porta estiver fechada, de você venha a primeira chave;

Se o vento sopra frio, que o calor de sua lareira seja a  primeira proteção
e primeiro abrigo.

Se o pão for apenas massa e  não estiver cozido,
seja você o primeiro forno para transformá-lo em alimento.

Não atire a primeira pedra em quem erra.

De acusadores o mundo está cheio; nem, por outro lado, aplauda o erro;
dentro em pouco, a ovação será ensurdecedora;

 Ofereça sua mão primeiro para levantar quem caiu; 

sua atenção primeiro para  aquele que foi esquecido;

 Seja você o primeiro para aquele que não tem ninguém;

 Quando tudo for espinho, atire a primeira flor;

Seja o primeiro a mostrar que há  caminho de volta,

 compreendendo que o perdão regenera,
que a  compreensão edifica,  que o auxílio possibilita,

 que o entendimento reconstrói.

 Atire você, quando tudo for pedra,

a primeira e decisiva flor.

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